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Nilton Santos

08/07/2019

A PÁTRIA PENDUROU AS CHUTEIRAS

Em tempos de Copa América - com exceção dos abalos sísmicos que vêm de Brasília -, o futebol é o tema do momento. A seleção brasileira definitivamente não mais encanta o brasileiro, principalmente nós, gaúchos, bairristas desde o ovo. Eu, por exemplo, confesso que só consigo torcer para seleção quando algum jogador do Grêmio está em campo. Os colorados certamente sentem o mesmo. Me atrevo a dizer que nós, gaúchos, preferimos mais o azul e o vermelho do que a "amarelinha”, recheada de jogadores que sequer conhecemos e que, desde muito cedo, vão para o exterior fazer o pé de meia. Antes era diferente.

 

A maioria dos convocados jogava no Brasil e assim mobilizava as torcidas, pois, de certa forma, o seu time estava em campo defendendo a nação verde amarela. Era, segundo Nelson Rodrigues, a "pátria de chuteiras"! Hoje a canarinho já não causa discussões acaloradas como outrora. Em 1972, vi a seleção gaúcha, empurrada por mais de 80 mil gaúchos - com a faca na bota e nos dentes - dar um calor em Pelé, Rivelino, Tostão e cia. Estávamos revoltados porque, dos tricampeões de 70, só o gaúcho Everaldo não foi convocado para disputar a Copa Independência em 72. Gremistas e colorados irmanados, sedentos para dar o troco pela tamanha desfeita de Zagalo em não colocar na lista nenhum jogador daqui.

 

Fizemos com que a seleção se sentisse jogando no estrangeiro. Hoje, se a seleção perder uma disputa, não se vê, aqui ou no resto do país, grandes lamentações porque não há mais identificação com um time formado por jogadores que jogam fora do país. Os atuais convocados não mais demonstram o sentimento de orgulho de servir a seleção como os jogares de antes. Hoje convocação significa tão somente valorização profissional, ou seja, mais dinheiro. Quando calçam as chuteiras é só mais um jogo. A torcida já não se empolga, além do pouco futebol, nenhum jogador do seu time está em campo. Que Saudade do tempo em que a pátria vestia chuteiras. 

 

 

 

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