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Cleber Lima

08/07/2019

Pasquin

 

Frio, lareira, reclusão, pinhão, sol e bergamotas... Para muitas pessoas essas são algumas das inúmeras atividades que este período lhes reserva, contudo, para Professores é também tempo, além disso, de manter-se no preparo das atividades letivas. E foi neste processo que comecei a reler uma obra muito peculiar e atraente: Roma Católica.  Quando o comprei aprendi que nunca se julga um livro pela capa, tão pouco pelo título.

 

A obra é o relato de Joaquim da Fonseca, um alegretense, artista plástico e jornalista que mora em Roma, escreveu um “mapa” sobre a Cidade Eterna. Neste livro ele traz orientações riquíssimas de como se deslocar, onde comer, se hospedar, em que período viajar, enfim, é um guia turístico perfeito para quem deseja conhecer a terra de Rômulo e Remo. Mas não somente isso, a cultura e o panteão de lendas que cercam a cidade milenar é outro assunto, que prende a atenção do leitor o tempo todo fazendo com que não queira se afastar da leitura. Dentre algumas dessas histórias uma que me chamou muito a atenção é a de Pasquino.

 

Na esquina da Via di Pasquino com a Via di S. Pantaleo está uma escultura quase informe de mármore, a mais conhecida e mais loquaz das estátuas falantes de Roma. Provavelmente fez parte de um grupo de esculturas do século III a.C.. No século X foi encontrada como piso da Piazza Navona, em péssimo estado. Nenhum colecionador se interessou por ela e por isso foi colocada na esquina e ali ficou. O povo a chamou de Pasquino, o nome de um conhecido fofoqueiro alfaiate da vizinhança.

 

Durante a noite, eram afixados na estátua, anonimamente, reclamações populares e comentários satíricos que criticavam o comportamento moral e político dos poderosos, muitas vezes escritos no dialeto romano. No dia seguinte as “pasquinadas” se espalhavam por Roma. O apelido da estátua acabou perenizando como qualificador de qualquer jornal ou panfleto difamador. Apesar da ira das autoridades, as declarações da “estátua falante” foram parte da cultura popular até o século XIX. Outras estátuas da cidade também “falavam” da mesma forma satírica e Pasquino “dialogava” com elas.

 

Cachoeira do Sul não possui muitas esculturas, mas possui postes. Sabe-se de relatos em nosso município do uso de postes de luz como espaço de denúncia e/ou crítica. Logicamente, apenas pessoas interessadas nas informações sabiam a localização dos mesmos e desenvolveram códigos em suas linguagens, para orientar onde encontrar o “poste informante”.

 

Lendas e mitos como esses constroem uma cultura, geram identidade. Assim como Roma, Cachoeira do Sul também possui seu panteão místico e nesse período de recesso que se aproxima, cabe visitar nosso museu, o zoológico e tantos outros lugares ricos em histórias e lendas que fazem da Princesa do Jacuí essa terra única repleta de curiosidades. Fica a dica!

 

Um feliz e abençoado final de semana a todos!

 

 

 

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